Um.

Nascemos com a nossa vida já planeada para nós, de acordo com a sociedade que estamos inseridos.
  1. Ter boas notas;
  2. Entrar na universidade;
  3. Acabar o curso;
  4. Ter emprego;
  5. Casar;
  6. Ter uma casa;
  7. Ter filhos;
  8. Educá-los bem;
  9. Reformar-se;
  10. Usufruir da reforma (qual reforma?! *cof cof*);
  11. Morrer sabendo que tudo o que fizemos para trás valeu a pena.
As três primeiras etapas foram alcançadas. 
E agora entro na parte em que começo a entrar em pânico "Oh meu Deus, como assim, já estou naquela fase da vida em que tudo realmente começa a preocupar?"
Terminei o curso à relativamente pouco tempo, e começo a duvidar de todas as decisões que fiz desde então, desde as mais pequenas às mais importantes.

Estive quatro anos a sensivelmente 1130 km de casa, onde apenas visitava os meus pais nas férias escolares. Pensei, na altura, que seria bom para mim e para todos voltar a casa após ter estado tanto tempo longe da minha família. O problema é que, após alguns anos a vivermos sozinhos, adquirimos os nossos hábitos, costumes e a nossa liberdade (oh sim!). Voltar para casa foi/tem sido como um balde de água fria constante. Atenção! Amo os meus pais, com todo o meu coração. Devo-lhes a minha vida por tudo o que fizeram e têm feito por mim! Mas preciso do meu espaço de volta, de realizar as tarefas de casa que tenho por realizar no meu tempo, de engomar a roupa nos dias que me apetecer, entre outras coisas minúsculas, mas que ao fim de um tempo desgastam.

Vim também para casa dos meus pais, porque pensei que cá teria mais oportunidades de encontrar emprego, que vai ao encontro do quarto ponto - ter emprego. É tão bom terminar o curso, ter aquela sensação de liberdade, de "nunca mais ter que estudar", de acabarem os exames, os relatórios, as investigações, etc. No entanto, o pior é quando estamos de "férias por tempo indeterminado". Sim, é horrível, pelo menos para mim que detesto passar muito tempo sem fazer nada. Sou licenciada num curso que adoro. Dá-me imenso prazer fazer o que faço, e adoro trabalhar! Lembro-me que a minha vida de estudante poderia estar a ser uma bela porcaria na altura, mas a partir do momento em que entrava no estágio transformava-me. Ponha os problemas de lado e dava o meu melhor para com os outros. E saía todos os dias realizada. Tenho saudades, muitas saudades dessa sensação. No entanto, a espera incessante após a entrega de currículos é horrível! As oportunidades de trabalho cá são mil vezes piores do que onde estava a estudar. Tenho a certeza que se tivesse lá ficado, já estaria a trabalhar!

E assim do nada, começo a ver que afinal quem tinha razão era o Peter Pan. 
Querido Peter Pan, esta noite deixo a janela aberta... Podes levar-me de volta para a Terra do Nunca?
Agradecida,

Joanna

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